Compromisso JMJ

OS JOVENS GUARDIÕES DA CRIAÇÃO NA JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE

"O FUTURO QUE QUEREMOS PARA A HUMANIDADE"

Desde o surgimento da civilização, o ser humano modificou o meio ambiente desfrutando os dons da Criação. Com o advento da revolução industrial, a partir do século XVIII, teve início uma nova época na qual a composição química da atmosfera foi sendo progressivamente modificada pelas emissões causadas pelo uso de combustíveis fósseis.

A comunidade científica, com base em dados objetivos, sinalizou repetidas vezes os riscos desse comportamento, principalmente no que se refere às mudanças climáticas. E hoje os apelos dos estudiosos não podem mais ser deixados de lado.


Os dados do problema

A emissão de gases do efeito estufa na atmosfera eleva a temperatura com uma taxa de aumento sem precedentes. No passado, a Terra sofreu notáveis elevações da temperatura devido a causas naturais, nas eras geológicas esse processo aconteceu no arco de vinte mil anos; mas, nos próximos cem anos, corremos o risco de um aumento da temperatura com um processo duzentas vezes mais rápido. Hoje, a quantidade desses gases presentes na atmosfera é maior do que nos últimos três milhões de anos.

Derretimento de geleiras, aumento e acidificação dos oceanos, desmatamentos, secas e eventos climáticos extremos colocam em risco vastas áreas do planeta, principalmente as mais pobres, e poderiam causar danos devastadores, sobretudo aos 600 milhões de habitantes que vivem até um metro acima do nível do mar. Na base desses fenômenos, está o crescimento da demanda por energia para fazer frente ao desenvolvimento das economias emergentes, além da escassa disponibilidade de água doce.

O direito ao crescimento de mais de dois terços da população mundial, que deseja sair do nível de pobreza, deve encontrar resposta em tecnologias limpas para ter acesso à energia e à água. No início do terceiro milênio é possível reafirmar esse direito utilizando as descobertas que a ciência e a tecnologia nos colocaram à disposição.


Um problema ético

Temos, no entanto, a fundada impressão de que, enquanto expandem-se nossos conhecimentos, se reduz cada vez mais a capacidade de distinguir o bem do mal. Em outros termos, podemos nos tornar gigantes tecnológicos, mas de pequenez moral. E, no entanto, o problema ecológico, como afirmaram os Papas das últimas décadas, é principalmente um problema ético.

É por esse motivo que, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude do Rio de Janeiro, fiéis aos ensinamentos da Igreja, queremos dirigir esta mensagem aos nossos coetâneos de todo o mundo e a todas as pessoas de boa vontade. Fazemos isso com a consciência de que, se por um lado os dados científicos dão-nos um sinal de alerta que seria irresponsável subestimar, por outro lado devemos destacar que tal tendência não determina nosso destino. Ainda temos tempo para invertê-la. E a primeira coisa a se fazer é redescobrir a verdade de que a criação nos leva ao Criador, e entender que esse Criador a confiou à humanidade para ser sua guardiã.

É esse o convite que o Papa Francisco, desde os primeiros dias do seu pontificado, dirigiu a todos. Um convite que surge como continuidade do magistério desenvolvido pelos seus antecessores no que se refere à proteção da Criação. Por isso, enquanto nos preparamos para vivenciar como jovens este novo encontro com o Sucessor de Pedro em terras brasileiras, assumimos como nosso esse convite e o propomos novamente ao mundo.

Além disso, entre os jovens e a ecologia sempre houve uma grande sintonia. Como foi reconhecido por Bento XVI, foram os jovens que conseguiram compreender primeiro que “a nossa relação com a natureza não está boa; que a natureza tem dignidade própria e que temos que estar atentos aos seus conselhos”.

O beato João Paulo II, que promoveu as Jornadas Mundiais da Juventude, já nos lembrava que, juntamente à ecologia, há também uma ecologia humana. E Francisco, desde a escolha do seu nome como Pontífice, colocou em evidência o santo que, antes de qualquer outro, nos ensinou a chamar de irmãos e irmãs inclusive os elementos da natureza como a água e o sol e nos convidou a respeitar todas as criaturas de Deus e o meio ambiente em que todos vivemos com elas.


Nossas solicitações, nossos compromissos

Os dados que destacamos impõem decisões responsáveis, de longo alcance e tempestivas. Nós e nossos pais somos as primeiras gerações a ter consciência do que está em jogo e das consequências negativas que poderiam ocorrer caso não sejam adotadas as medidas necessárias.

 

Pedimos aos governantes de todo o mundo e às organizações internacionais

que não nos privem do nosso futuro e esperanças, permanecendo prisioneiros dos interesses de curto prazo que fazem surgir contraposições e impasses que desencadeam um perigoso imobilismo;

que iniciem ações concretas capazes de enveredar por um caminho sem volta, tornando-se a Terra inabitável para a humanidade;

que limitem ao máximo a emissão de gases de estufa na atmosfera, utilizando as fontes alternativas não poluentes já disponíveis;

que promovam a pesquisa, o desenvolvimento e o acesso a todas as outras fontes energéticas limpas;

que experimentem e divulguem modelos e estilos de vida para o uso sustentável dos recursos naturais e energéticos;

que não considerem os fundos utilizados nessas direções como um custo, mas, pelo contrário, como um investimento a favor das gerações futuras;

que protejam a biodiversidade e as reservas de água doce e limpa do planeta.

 

Pedimos aos comunicadores sociais de todo o mundo

que estejam em alerta para que as medidas necessárias sejam efetivamente adotadas;

que não fiquem à mercê de especulações e campanhas de desinformação orquestradas por quem age somente em beneficio próprio;

que divulguem os dados científicos e os aspectos éticos do problema à opinião pública mundial, contribuindo assim para a formação de uma consciência realmente ecológica.

 

E nos comprometemos a

respeitar a verdade do ser humano, coroa da Criação, em harmonia com a natureza, seguindo o exemplo de São Francisco;

redescobrir a vocação de guardiões da Criação para proteger os outros, como tem nos ensinado o Papa Francisco;

evidenciar a dimensão ética das escolhas que norteia o cuidado com a Criação, como destacou Bento XVI;

promover uma correta ecologia humana, como afirmou o beato João Paulo II;

mudar nossos estilos de vida para tutelar a Criação e entregá-la às gerações futuras;

promover o uso eficaz e solidário dos recursos disponíveis;

pressionar, com todos os meios legais e pacíficos disponíveis, para que os governos e as instituições internacionais adotem as medidas necessárias e, principalmente, financiem a pesquisa de novas fontes energéticas não poluentes;

difundir esta cultura e esta vocação entre nossos coetâneos e todos os homens e mulheres de boa vontade, para que todos possam experimentar a beleza de serem guardiões da Criação.